11° Dia - 15/05/2025

Hoje marca o décimo primeiro dia da nossa viagem pela África do Sul, e a sensação é de que o tempo está passando rápido. Parece que foi ontem que embarcamos nesta aventura cheia de experiências únicas e intensas. Estamos imersos em uma cultura vibrante e uma realidade que, por mais que tentássemos imaginar, surpreende a cada instante. Estar aqui realmente nos permite entender como as coisas funcionam, como as pessoas se comportam e como é a vida neste país tão singular.

Começamos o dia saindo da bela Santa Lúcia às 7h da manhã. Este paraíso ecológico, com seus pântanos e estuários repletos de vida, foi um cenário inesquecível. Tínhamos cerca de 280 km pela frente, e a viagem foi relativamente tranquila. No entanto, ao chegar nos arredores de Durban, uma cidade portuária com cerca de 3 milhões de habitantes, enfrentamos um trânsito intenso. Ficamos impressionados com as grandes obras nas rodovias, incluindo a construção de viadutos e a ampliação das estradas.

Nosso primeiro ponto de parada foi um local onde assistimos a danças tradicionais da etnia Zulu. Foi uma experiência muito especial. Assistindo conosco várias crianças de uma escola Sil Africana, uniformizadas, todas perfeitamente arrumadas. Aliás foi o que vimos até o momento. Uma preocupação aqui na África do Sul com a Educação, começando pelo zelo com os uniformes. As crianças eram todas negras, diferente que presenciamos em Joanesburgo, onde vimos brancos e negros convivendo na mesma escola. Talvez por ser esta escola de alguma localidade do interior da África, onde predominantemente estão os povos originais. 

No local, a reprodução de uma aldeia Zulu, com suas cabanas de palha. Lá, assistimos às danças e às apresentações do grupo de danças Zulu. Tivemos uma breve explicação sobre a cultura desta etnia, embora em inglês, o que dificultou um pouco a compreensão. No entanto, estamos nos saindo bem, especialmente as crianças. Parabéns às professoras Melina da Yellow School, de Rolante, e aos professores da escola Wisdon, em Campo Bom, em especial Maira e Josi, proprietárias, pelo excelente trabalho — as crianças estão mandando muito bem no inglês e nos auxiliado em diversos momentos. 

Em dado momento apresentaram uma dança, que parecia ser um desafio, que era o de levantar a perna quase até a cabeça. Ao final convidaram o público. As crianças participaram com alegria, mostrando uma ligação com as raízes afrodescendentes que também são tão presentes no Brasil, especialmente no Carnaval. Não importava se eram magrinhos ou mais gordinhos, todos entraram no ritmo da batucada, incluindo algumas professoras. Foi emocionante e de arrepiar. Que rica cultura os povos adoçamos possuem. Foi muito lindo.

Depois, visitamos um serpentário, onde vimos serpentes, cobras e crocodilos. Destacou-se uma cobra Burmese Piton, que tivemos a oportunidade de segurar — eu, Arthur e Davi tivemos essa experiência única de sentir a cobra nos envolvendo. Super dócil, é um ótimo Pet. Me admirei da coragem dos meninos em não temerem o contato com esta cobra enorme. 

Já os Gigantes crocodilos, apesar de estarem em cativeiro, foi fascinante vê-los  de perto, em especial um monstro com mais de 103 anos. No total o local possui 78 indivíduos crocodilos. 

Nossa última parada foi no museu do apartheid, no local onde Mandela foi preso em 1962. Além de um monumento impressionante com varetas de metal que formam o rosto de Mandela dependendo da posição de quem olha, o museu oferece um pavilhão repleto de vídeos e artefatos sobre a história de Mandela, do apartheid e de outros líderes. Foi muito interessante.

No museu do Apartheid, além de detalhar a prisão de Mandela e sua luta contra o apartheid, conhecemos outras figuras importantes que combateram a segregação racial, em especial Steve Bico, que lembro ter assistido um filme que me impressionou.  Aprendemos também um pouco mais sobre a história recente deste povo e sua luta. O museu é um espaço marcante, com forte estímulo audiovisual e uma coleção de artefatos, fotos, vídeos e citações. Ao usar os fones de ouvido disponíveis, pudemos ouvir discursos históricos, como o famoso comício de Mandela quando foi eleito presidente.

Após essa visita, seguimos para nossa acomodação, uma casa linda que parece pertencer a uma família de descendência indiana. A casa, uma cabana de madeira, fica nos fundos do terreno, possivelmente era a primeira residência da família simpática. Simples por fora, mas surpreendentemente espaçosa, bem estruturada e confortável por dentro. Hoje, 

Adelaide então aproveitou para lavar nossas roupas. Ficamos muito bem instalados nesta simpática e aconchegante casa de madeira.

Notamos que a cidade tem características europeias, provavelmente colonizada por ingleses ou holandeses, com árvores como o plátano que criam um ambiente e estética diferente das cidades tradicionalmente africanas. A infraestrutura aqui é bem desenvolvida, o que contrasta com outras regiões que visitamos, revelando uma diferença econômica notável entre colonizadores e povos originários.

Um fato quase que cômico, mas na hora me deixou irritado e quase morri do coração, marcou também o dia: embora eu tenha pedido que Adelaide evitasse, ela frequentemente se intromete na minha condução, que nada mais é que a expressão do perfil controlador dela, aliás, cada dia mais agudo. Ela não quer dirigir, mas quer me dizer como fazer, quando fazer, etc. Em uma área de obras com trabalhadores na pista, ela novamente deu palpites, o que gerou um tremendo susto, que fez meu coração bater acelerado por muitos quilômetros. 

Ao passar por uma área em obras, na via oposta, algo inusitado aconteceu: uma manada de gado estava descendo um barranco. Aqui, o gado muitas vezes circula livremente, o que pode ser perigoso. Um dos novilhos tropeçou e caiu, e Adelaide se assustou e soltou um grito. No momento, eu que já estava em alerta total, concentradíssimo, devido ao trânsito intenso, ao desafio de dirigir na mão inglesa e justamente estar passando em um trecho de estreitamento e obras, com muitos operários no entorno, levei um “cag…ço” com sua reação e grito. Quase tive um ataque do coração e fiquei muito brabo. 

Tenho insistido para que Adelaide não interfira enquanto estou dirigindo, a menos que eu peça ajuda. Mas creio que essa particularidade de ter uma companheira que gosta de dar palpites no trânsito é só minha. É só aqui na nossa família que isso acontece 🙄🫣😂. Imagino que em outras famílias, com outros casais que nos acompanham, isso certamente não ocorra.

Esse foi, de fato, um dia memorável. Ficamos muito felizes com as experiências culturais, históricas e ambientais que vivenciamos. Cada dia aumenta nossa sabedoria e aprendizado nesta viagem incrível. À medida que refletimos sobre nossas vivências, nos sentimos privilegiados por tudo o que estamos descobrindo.








































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