21° Dia - 25/05/2025


Antes de deixarmos Struisbaai, em Cabo das Agulhas, decidimos revisitar o emblemático farol que marca o encontro dos oceanos Atlântico e Índico. O nascer do sol refletindo no farol foi uma visão espetacular. Apesar de pensar em subir até o topo do farol, o que seria possível, pois é aberto a esta visitação, achei o preço caro e acabei desistindo (tínhamos a informação que não era cobrado e a subida era free). Mesmo assim, no entorno e pelo lado de fora, o ambiente rendeu belíssimas fotos. 

Esperava encontrar uma miniatura do farol como lembrança, mas, ao parar em uma loja, só encontramos um ímã. Como fazemos coleção, ele se juntará às nossas memórias de viagem.

Exploramos também piscinas naturais na praia, uma solução interessante para banho de mar em meio a um litoral de pedras e formações rochosas que impedem a chegada a praia com esta finalidade, além de um mar agitado e com ondas fortíssimas. A energia do local, desta parte do litoral africano, é diferente, talvez pela época do ano e o frio, que trazem um sentimento de solitude. Particularmente gostei dessa atmosfera. Talvez eu um dia queira esta paz e este ambiente. 

As praias são lindas e organizadas, com casas charmosas e um toque mediterrâneo, apesar de estarmos no sul da África. 

Seguimos nossa viagem por áreas agrícolas deslumbrantes, em uma região de colonização holandesa, conhecidos como  Boeres ou Africaners. O Sul da África do Sul na região do Cabo, foi palco de conflito entre holandeses, Ingleses e Africanos. A arquitetura tem a estética europeia, com cidades organizadas, ajardinadas, florestadas com árvores caducas europeias como plátanos, álamos e Acers, que nesta época do ano ficam lindas com suas folhas coloridas, prestes a cair com a chegada do inverno. Em algumas destas cidades do “europeu” percebe-se os guetos, onde os africanos foram alocados. Muitos destes guetos ainda com casas de latas. Resquícios de um país que segrega.


Seguimos então para a Whale Route (Rota das Baleias), conhecida como uma das estradas mais bonitas da África. A estrada, com montanhas verticais ao lado do oceano, é um espetáculo à parte e entrou facilmente no nosso "top five" de estradas mais lindas do planeta.


Durante a jornada, chegamos a Betty’s Bay, onde avistamos pela primeira vez os pinguins africanos. Embora semelhantes aos pinguins de Magalhães da Patagônia, os africanos se distinguem por uma única faixa preta no pescoço e no peito. Visitamos uma colônia à beira da praia, enquanto a tarde ensolarada e o céu azul criavam uma paisagem surreal.

Os pinguins africanos estão em estado de conservação vulnerável, com populações em declínio devido à perda de habitat e mudanças climáticas. Eles habitam as costas rochosas da África do Sul e Namíbia, e são conhecidos por suas interações sociais animadas e comportamento curioso. Além de serem fascinantes de observar, proporcionam uma oportunidade única para aprender sobre a biodiversidade local.



Finalmente, chegamos ao nosso destino, a cidade de Stellenbosch, no miolo da região vitivinifera da África do Sul, em um belíssimo apartamento instalado em um edifício com linhas que lembravam uma indústria, que a Adelaide alugou. 


Ao chegarmos no ótimo apartamento que a Adelaide escolheu, onde ficaríamos por três dias, precisávamos ir ao mercado. Eu e Adelaide decidimos ir a pé, e acabamos cortando caminho pelos trilhos do trem.




Atravessamos ali porque encontramos cercas derrubadas em ambos os lados dos trilhos (eram dois), o que facilitou nossa passagem. Foi uma singela e modesta aventura. Nunca havia atravessado uma ferrovia a pé. 

Para o jantar, preparamos carne, linguiça e massa assadas no forno, o que gerou bastante fumaça no apartamento. A carne (que constatamos era de porco), e a linguiça não estavam legais, mas as vezes acertamos, outras erramos. Desta vez não fomos felizes na escolha. Mesmo assim, o dia foi mais uma vez memorável. 

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