12° Dia - 16/05/2025

Saímos de Malweek ontem. Estávamos hospedados na casa de descendentes indianos, e tive a oportunidade de conversar com o proprietário, que confirmou que seu avô veio da Índia. Fiquei imaginando como eles enfrentaram o apartheid, já que, assim como os negros, os indianos também sofreram com isso. As lutas de Mahatma Gandhi inspiraram tanto a resistência negra quanto a indiana aqui na África do Sul.

Viajamos até um local com formações rochosas fascinantes, serpenteando e caminhando ao longo da borda do Lesoto, um país que, em sua maior parte, está acima de 1.500 metros do nível do mar. Encontramos paredões verticais impressionantes, com diversas gargantas e entradas. Visitamos o Royal Natal Park, que fica próximo a vilas de estética da população negrada. É um lugar lindíssimo, embora seja uma pena que não esteja melhor organizado e que os moradores não tenham mais infraestrutura. Aqui fica claro que a educação é o caminho. Os povos originais ou anteriores aos colonizadores em tese possuem uma conexão maior com a natureza. Assim deveria ser, mas não é. O que vemos é uma ausência deste vínculo, e a população “aculturada a cultura do colonizador” e não educada,  não cuida do lixo, da conservação e da sua cultura. É um aglomerado de casas espalhadas, localizadas junto a santuários ecológicos verdadeiramente deslumbrantes.

No Royal, fizemos uma trilha que nos levaria até uma cachoeira. Durante o primeiro quilômetro, o caminho era todo pavimentado com concreto, o que tornou a caminhada acessível  para o Davi e uma experiência agradável para todos nós. Depois disso, a pavimentação terminou, e o calçamento não chega a te a cachoeira.  mas mesmo assim o Trekking foi realmente prazeroso. 

Do Royal Natal Park, seguimos em direção ao Golden Gate Highland Park. A rodovia cruzava este parque, revelando paisagens incríveis e formações rochosas únicas ao longo do caminho. Foi uma travessia cheia de beleza e fascinação. Visitamos o centro de cultura Bazotto as margens desta rodovia, porém embora informasse estar aberto até 16:30, e chegamos às 15:00, a recepcionista informou estar fechado. 

Finalmente chegamos à cidade de Clarens e passamos a noite na melhor acomodação do Airbnb até agora. Super bem estruturada e confortável, embora estivesse muito frio. Felizmente, os banheiros eram aquecidos, contávamos com lençóis térmicos e um calefator que nos proporcionou um ótimo conforto. Jantamos uma pizza comprada na cidade, encerrando a noite de forma deliciosa e aconchegante.

Em Clarens, a diferença entre negros e brancos ficou bastante evidente, refletida na estética dos locais e na infraestrutura. De um lado, favelas com casas de lata; do outro, casas bem estruturadas em condomínios fechados. A África ainda enfrenta um grande fosso de desigualdade social e cultural.

Comentários