Dia 8 - 12/05/25
Hoje estamos no Marloth Park, uma espécie de reserva que integra a natureza com residências de pessoas interessadas em experiências de safari e contato direto com a fauna. A proposta aqui é justamente essa: permitir que os moradores e visitantes possam conviver de perto com os animais.
Estamos hospedados em uma casa confortável e espaçosa, embora simples se comparada a outros lodges e pousadas do local. Marloth Park faz fronteira direta com o Kruger Park, sendo separados apenas pelo Crocodile River. É comum ver pessoas com binóculos observando as margens do rio, na expectativa de avistar alguns dos “Big Five”, que costumam aparecer do lado do Kruger. Uma cerca ao longo do rio impede que os animais maiores entrem em Marloth ou saiam do parque.
Aqui, entretanto, os animais menores circulam livremente e vêm até muito perto das casas. Já vimos impalas, javalis, galinhas-d’angola e outros antílopes. Tem sido fascinante, especialmente para as crianças. O Artur, por exemplo, alimentou hoje um antílope muito manso que se aproximou de nós.
Hoje será um dia dedicado ao descanso. Vamos preparar um churrasco em casa, já que amanhã teremos pela frente um longo trecho de estrada — mais de oito horas de viagem. Compramos utensílios para churrasco, inclusive o carvão, que é bem diferente do que temos no Brasil. Estou improvisando na churrasqueira da casa, com os materiais que conseguimos comprar. Curiosamente, a Adelaide trouxe sal grosso para usar na grelha, embora eu nunca tenha preparado churrasco assim — segundo ela, fui eu que pedi, mas não me lembro disso... Talvez tenha sido num sonho dela! Não sei se vai ficar bom, mas vamos experimentar.
Marloth Park é uma reserva única situada no nordeste da África do Sul, na província de Mpumalanga, bem na divisa do lendário Kruger National Park. Criada oficialmente nos anos 1970, Marloth nasceu do sonho de integrar residências humanas à savana africana de forma respeitosa e sustentável, permitindo que moradores e visitantes vivam lado a lado com a vida selvagem.
“Sem cercas entre as propriedades, animais como zebras, impalas, girafas, javalis, kudus, gnus e galinhas-d’angola circulam livremente pelo parque, tornando comum acordar com impalas pastando no jardim ou ver zebras atravessando as estradinhas de terra. Isso faz de Marloth um dos poucos lugares no mundo onde conviver com a fauna africana é rotina. Eventos curiosos são frequentes: girafas beliscando folhas nos quintais, famílias de javalis explorando pátios e até antílopes aceitando comida das mãos das crianças.
A comunidade local é formada por sul-africanos e estrangeiros que compartilham o estilo de vida voltado para a observação, preservação e respeito à natureza. Há uma forte ênfase ecológica: restrição de velocidade para veículos, proibição de fogos de artifício, programas de reciclagem e uso de produtos biodegradáveis. As regras são claras — não alimentar os animais de forma inadequada, sempre fechar portas e janelas, cuidar do lixo e, à noite, andar acompanhado devido à presença eventual de hienas ou pequenos felinos.
Marloth Park faz fronteira com o Kruger, separados apenas pelo Crocodile River e por uma cerca que impede a travessia dos grandes predadores, mas permite que visitantes assistam da margem os famosos Big Five que chegam até o rio para beber água, principalmente no fim do dia. É um convite contínuo à convivência pacífica entre homem e natureza, onde cada caminhada pode render encontros surpreendentes e histórias para toda a vida.”
O churrasco foi muito bom, apesar do sal grosso — a carne acabou ficando um pouco mais seca do que o normal, mas estava surpreendentemente macia e saborosa. Valeu muito a experiência. Enquanto almoçávamos na área externa da casa, fomos recebidos por uma visita para lá de especial: um antílope da espécie Kudu, provavelmente um macho alfa do grupo, chegou bem perto do lado do alpendre e logo toda a sua famila. Ele tinha chifres enormes e encurvados, uma presença impressionante. Não demorou e logo depois apareceu também uma família de javalis, que se alimentaram das batatas que sobraram no almoço. Foi incrível poder fazer uma refeição ao ar livre, nesse ambiente tão inusitado, cercado por esses animais que circulam livres.
A vegetação daqui lembra bastante o cerrado brasileiro: predominam árvores e arbustos mais retorcidos, vegetação seca, mas há uma certa densidade de mata que diferencia um pouco do cerrado puro — não chega a ser caatinga, nem uma savana aberta como vemos em outras partes da África do Sul. É uma variação entre savana e cerrado, com aquele visual agreste, de terra avermelhada e arborização espaçada. Parece até que estamos no interior do Brasil, mas com uma fauna completamente diferente.























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