5° Dia - 09/05/2025

Hoje acordamos às 6h da manhã. Terminamos os últimos preparativos e organizamos as malas. Tomamos café e partimos às 7h50, saindo de Joanesburgo em direção a Sabie, no nordeste da África do Sul. No caminho, passamos por planícies e vimos muitas usinas de carvão. Havia também uma névoa que parecia ser causada pela poluição dessas usinas. Fizemos duas paradas em postos de gasolina para necessidades fisiológicas. Depois do trecho inicial em pista dupla, entramos em uma estrada de pista simples. Dirigir na mão inglesa tem sido um desafio com alguns pequenos sustos, o que causa certa tensão. Em dado momento entramos em uma região de campos altos, que lembra bastante os Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul. A pista é interrompida ocasionalmente por obras ou manutenções. A viagem segue tranquila, com temperatura agradável, mas as paisagens não mudam muito, tornando o percurso um pouco monótono. O acostamento é estreito, apesar do asfalto estar em boas condições.

A ausência de acostamento exige atenção redobrada, principalmente quando precisamos dividir espaço com veículos maiores ou ao passar por zonas de obras. O fluxo de carros é moderado e, apesar das interrupções, conseguimos manter um bom ritmo. 

A experiência com a mão inglesa continua sendo um desafio constante, mas já estamos começando a nos adaptar. O principal é manter a atenção e seguir sem arrojos. A temperatura amena permitiu uma viagem confortável. 

Em certa altura a paisagem começa a mudar. Surgem montanhas e a vegetação lembra a savana, com áreas de planícies altas e montanhosas. Esse cenário novo contrasta com o trecho anterior, que era mais monótono e plano.

Sobre a matriz energética local, é visível pelo caminho a presença de diversas usinas de carvão. Vale destacar que a matriz energética da África do Sul é fortemente baseada no carvão mineral. O país depende desse recurso para gerar cerca de 70% a 80% da sua eletricidade, tornando-o um dos países mais dependentes de carvão no mundo. Isso explica a quantidade de usinas avistadas e também a névoa causada pela poluição que já observamos antes. Essa dependência, apesar de garantir eletricidade para boa parte do território, representa desafios ambientais importantes, como altos índices de emissão de poluentes e impactos negativos na qualidade do ar.”

Seguindo a viagem em meio as montanhas, em dado momento vimos faixas largas de uma cor que lembrava areia. Pareciam extensões de areia, mas, ao nos aproximarmos, percebemos que eram coberturas usadas em plantações. Estávamos  passando por uma grande área de cultivo de citros, especialmente laranjas, protegidas por essas estufas. São quilômetros de plantações, ocupando muitos hectares. Nunca tinha visto uma estrutura desse tamanho antes. Isso evidencia a força da agricultura na África do Sul. 

O cenário está em meio a montanhas, formando um vale cercado por aquilo que poderíamos chamar de “mountain tables” — montanhas com topo plano, semelhante ao formato de mesas. Entre elas, as estruturas das plantações de laranja se estendem por grandes áreas, algo impressionante ao olhar no mapa do GPS.

No caminho, também vimos algumas bancas vendendo laranjas na beira da estrada. Ficamos curiosos para experimentar, para saber se são realmente boas.

“A África do Sul é uma das principais produtoras de laranja do mundo, tendo grande importância tanto no mercado interno quanto na exportação. O cultivo de laranja ocorre principalmente em regiões com clima subtropical, como Limpopo, Mpumalanga, Cabo Ocidental e Cabo Oriental. As condições climáticas, com verões quentes e invernos amenos, favorecem o desenvolvimento das frutas.

A produção sul-africana é conhecida pela qualidade das laranjas, especialmente das variedades Valência e Navel. Essas laranjas abastecem tanto o consumo local quanto mercados internacionais, principalmente Europa, Oriente Médio e Ásia.

Para proteger as frutas de pragas, pássaros e do excesso de sol, muitos produtores utilizam grandes coberturas como as que vimos hoje ao longo da estrada. Essas estruturas garantem uma produção mais estável e de melhor qualidade. Além disso, a agricultura do país emprega técnicas modernas de irrigação e manejo, contribuindo para a alta produtividade das fazendas.

No geral, o setor citrícola da África do Sul é altamente desenvolvido e representa uma importante fonte de renda, geração de empregos e movimentação econômica — ajudando a explicar a presença de tantos hectares dedicados ao cultivo de laranja nas regiões que atravessamos hoje.”

Na sequência da viagem, chegamos à lindíssima rodovia panorâmica, um rodovia que acompanha Canyons e curiosas formações rochosas. Visitamos o Canyon Blade River onde avistamos as Threer Rondavels. O local é muito bonito e impressiona. O nome Rondavel deriva das casas típicas redondas e de telhado cônico comuns aqui na África. As três montanhas lembravam estas casas, por isso o nome. Para acessar essa área, foi necessário pagar uma taxa.

Mais adiante, também paramos na cachoeira Grascop. Lá havia uma ponte Pencil ao lado  da queda d’água. Ao redor do Canyon, há várias atividades esportivas disponíveis, como tirolesa, pêndulo, caminhadas na parede do precipício, usando linha de vida e mosquetões, elevador panorâmico. entre outras opções. Para tudo se paga e não é barato. 

Seguimos em intenso declive até a cidade de Savie, onde a Adelaide reservou um Airbnb. Chegamos ao nosso destino por volta das 17h. Estamos em um bairro mais afastado do centro. A casa onde ficamos é muito boa, localizada em uma área de montanha. O calçamento do bairro é péssimo, mas as casas são bonitas e aparentam ser de pessoas com bom poder aquisitivo. Ficamos em um apartamento no primeiro piso de uma casa grande.

O pátio é bonito, cercado pela natureza e por montanhas bem íngremes. No entorno, há várias cachoeiras. Algumas se não houver névoa, podem ser avistadas aqui do apartamento. 

Adelaide está de parabéns pela estudo do roteiro e reservas feitas até aqui. 



















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